Pastilhas da Copa - oitavas
Com saudades de Vozinha - já e sempre
🗣️Fala, Helê 👩🏾🦳
Vou tentar fazer pastilhas de verdade, pequenos registros antes durante Canadá X Marrocos.
Até aqui, essa é a Copa das chuteiras cor de rosa — para derrota do marketing e horror dos conservadores. De certo modo, uma falha que deu certo.
Esta será mais uma Copa em que Zico se classificou para as Oitavas de final (vai, Egito!)
A pausa para hidratação veio, finalmente, dar oportunidade para publicidade, tão rara no jogo e em seu entorno. Surpreendentemente, já há estudos (!) dizendo que melhora a disputa; há quem diga que desvirtua fundamentalmente o esporte, transformando a partida num jogo de quatro tempos, como no basquete. Mais uma polêmica para os boleiros e boleiras do mundo
Que vexame jornalístico a Globo não falar dos jogos que não vai transmitir! Depois mostra lá os gols pra não dizer que ignorou totalmente, mas pelamor, né? Não chega a surpreender numa emissora para qual a Formula 1 deixou de existir por quatro anos, quando só passava na Band. Mas nem por isso menos grave.
Sempre me interessei pelo futebol como fenômeno social em geral, e masculino em particular. Eu e a Manu já falamos muito sobre “a pelada enquanto reserva emocional dos homens”, espaço liberado para expressar sentimentos abafados fora dali. Nessa linha, minha sócia indicou o excelente episódio do Café da Manhã sobre o assunto, O futebol e o jogo dos homens. Vale a pena ouvir.
Dito isso, impossível não se incomodar com a excessiva e delirante babação de ovo de comentaristas e jornalistas para falar de alguns craques. O sempre ruim Fred Bruno falando do Cristiano Ronaldo, o competente Luisinho se derretendo pelo Messi — fora o inacreditável fã clube do ex-jogador em atividade, Neymar. Parece que abre a porteira da emoção e aí os caras meio que perdem a linha, uma profusão exagerada de elogios. Curiosamente, não vejo nenhuma das muitas mulheres que estão na cobertura fazendo o mesmo. Veja: depois que você chama alguém de gênio, não há muito mais a acrescentar, e nem precisa. Menos, garotos, menos.
E já que entrei na análise sobre a cobertura da Copa: “Falha de Cobertura” segue sendo o melhor programa esportivo. Sinto falta do Marcelo Barreto e do ótimo texto e edição do Lucas Gutierrez, que eu nunca sei a que horas entram. Fiquei triste pela saída do Escobar (mesmo que, às vezes, ele me irrite um pouco). E Felipe Melo não dá, gente. Simples assim.
Seguimos amando futebol e odiando a Fifa.
Esta foi a Copa em que a Alemanha foi eliminada pelo Paraguai. A Alemanha eliminada. Pelo Paraguai. HAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Portugal eliminou a Croácia num jogo dramático como uma fado, com impedimentos e pênalti, e a crueldade de um gol anulado — que sempre me lembra o verso preciso do Aldir Blanc:
Eu aprendi que a alegria
De quem está apaixonado
É como a falsa euforia
De um gol anulado.
Eu nem lembrava que odiava a Croácia, mas durante o jogo fui ouvindo Pericite, Bursite, otite e aí foi dando gatilho. A trilha sonora foi a mesma da Alemanha: chorando se foi/quem um dia só ne fez chorar. Hahahahaha!
O encantamento brasileiro com Cabo Verde é um acontecimento com muitas explicações e camadas, e carrega um tanto de insondável também. Lembrou nossa torcida pela seleção de Camarões na Copa de 90 (referência de velho!), mas tem outros contornos, além da amplitude e rapidez que o digital confere a tudo. Sei é que a gente, que nem gosta muito de goleiro, não pôde resistir a um que, além muito bom, carrega um apelido que fala tanto a nossa memória afetiva. Vozinha pra sempre em nossos corações!
Helena Costa







